Archive for the ‘Teología’ Category

O fruto proibido Johan Konings

Miércoles, abril 24th, 2013
24/04/2013
Domtotal.com

O fruto proibido representa, simbolicamente, o interdito, o tabu, o limite imposto ao ser humano (Foto: Reprodução)
Algumas pessoas ficaram pensativas a respeito do fim de minha coluna anterior: “A historinha do pecado original quer dizer simplesmente que Deus, para o bem do ser humano, impõe limite a seu desejo insaciável”. Retomemos, pois, a história da maçã (Gênesis cap. 2-3)!

A Bíblia conta que Deus colocou “o ser humano” (o texto original lê “o Adão”, com artigo definido) no melhor mundo possível, como jardineiro do paraíso, e, para tirá-lo da solidão, providenciou-lhe uma “ajuda adequada”, a mulher. Deus explicou ao ser humano e à sua companheira que tinham à sua disposição as frutas de todas as árvores, inclusive da árvore da vida, menos o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas aí veio a serpente, animal rasteiro e astuto, e inspirou a Eva o desejo daquele único fruto; e ela comeu, e Adão também. Com as consequências que conhecemos.

Adão e Eva podem comer de todas as frutas do paraíso, menos uma, que eles têm de deixar intacta, para que não pensem ser iguais a Deus. É verdade que foram criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1,26-27), para representá-lo (‘imagem’, estátua) e para agir como ele (‘semelhança’: exercer domínio). Mas, ainda que ‘semelhantes’, eles não são iguais a Deus, não devem ocupar seu trono! Ora, exatamente porque lhes ensina o limite, a fruta daquela árvore lhes dá conhecimento do bem e do mal: ensina-os a distinguir o que é bom ou mau para eles. Infelizmente, eles vão querer exatamente esse único fruto…

O fruto proibido representa, simbolicamente, o interdito, o tabu, o limite imposto ao ser humano. Parece o contrário, mas é verdade: tendo um limite, o ser humano é livre, pois pode optar, escolher. Pode optar por respeitar o limite ou não. Livre arbítrio. E se optar por não respeitar o limite, vai conhecer as consequências.

Esse simbolismo nos ensina ainda outra coisa: se o ser humano romper sua lealdade a Deus e quiser tornar-se igual a ele – assim nos conta o narrador –, também a árvore da vida vai lhe ser interditada: ele vai conhecer a morte. A penalidade do interdito é a morte: a transgressão separa o ser humano daquilo que Deus lhe oferece, a vida.

Podemos também dizer: o fruto simboliza o critério do bem e do mal. Pois bem, esse critério está reservado a Deus. Querer comer desse fruto é querer ser igual a Deus. Quando o ser humano se apropria do critério do bem e do mal, ele se faz de deus; então, é melhor interdizer-lhe também a árvore da vida, pois o ser humano é criatura, não é feito para ser Deus.

À nossa interpretação opõe-se, antagonicamente, outra, bem ao gosto de certa modernidade que exalta a absoluta autonomia do ser humano. Segunda essa interpretação, Eva e Adão teriam feito um ato de heroísmo, um pouco como o herói grego Prometeu, que roubou o fogo dos deuses. Esta interpretação diz que o fruto deu a Eva e Adão o conhecimento do bem e do mal, o conhecimento radical. Só que, para isso, eles (e nós) pagaram o preço… Não acredito que esta seja a interpretação certa. É muito grega, pouco bíblica. No espírito da Bíblia, o que dá ao ser humano a sabedoria da vida é a opção de respeitar o conhecimento do bem e do mal, ou seja, de aceitar que ele não pode tudo.

Os antropólogos dizem, com razão, que o interdito é o início da civilização. A Bíblia chama isso de Torah, ‘Instrução’ (de modo infeliz traduzido por ‘Lei’). A instrução (a educação!) tira o ser humano de sua animalidade, assim como as regras da linguagem o fazem sair da comunicação meramente instintiva (e como há no mundo atual humanóides que só produzem grunhidos!). O animal segue seu instinto, o ser humano opta e decide.

O interdito é correlativo à liberdade. Liberdade não é fazer o que o instinto inspira, mas o que se quer na base de uma opção responsável. Na antiga Grécia, a liberdade era a característica do cidadão. Em Roma, os filhos de família eram chamados ‘liberi’, termo que significa também ‘livres’. Por isso, a criança ‘testa’ os pais, para ver onde vão pôr o limite que lhe vai permitir agir como os humanos. É até interessante ver como a criança se opõe instintivamente ao limite que inconscientemente ela deseja! E à medida que ela aceita o limite e “conhece o bem e o mal” – as alternativas de sua opção –, ela progride em humanidade.

Sem esse ‘mítico’ limite (que na realidade toma as formas mais diversas), seremos animais selvagens, e os capítulos seguintes da Bíblia (Gênesis 4 a 11) contam alguns exemplos disso. Sem o limite, teremos, como observou uma leitora de meu texto anterior, “terroristas, neonazistas, estupradores” etc. Os jornais estão cheios disso.

Portanto, não foi para chatear que Deus inventou o fruto proibido! Mas quando a nossa liberdade não vence nossa cobiça, que sempre quer exatamente aquilo que não é para nós (a goiaba no jardim do vizinho, ou na parte do jardim que Deus se reservou), então …


Johan Konings Johan Konings nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colegio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Foi professor de exegese bíblica na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (1972-82) e na do Rio de Janeiro (1984). Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, onde recebeu o título de Professor Emérito em 2011. Participou da fundação da Escola Superior Dom Helder Câmara

José Ignacio González Faus, S.J. en Uruguay: Otro mundo es posible…desde Jesús

Jueves, septiembre 27th, 2012

Programa de actividades

8 de octubre
Encuentro de Eclesiología: “Concilio Vaticano II, ayer y hoy” 19:30- 21:30 hs. Colegio Clara Jackson de Heber. L. A. de Herrera 4142. Inscripción previa: fausenuruguay@gmail.com

9 de octubre
“Otro mundo es posible… desde Jesús” Presentación de su último libro. 19:30 hs. Espacio Cultural La Spezia. Libertad y Bvar. España.

10 al 15 de octubre
Ejercicios Espirituales Ignacianos (6 días)  Centro de Espiritualidad Manresa. Luis A. de Herrera 4278.  Plazas limitadas. Informes e inscripciones: 2336 0836 – manresa@ucu.edu.uy

16, 17, 18, 19 y 22 de octubre
Seminario de Cristología: “Jesús, invitación y fundamento radical para la fraternidad” ¿Qué Dios y qué imagen del ser humano se nos revela en Jesús? Retos y desafíos para el mundo actual. 19:30-21:30 hs. Colegio Seminario. Soriano 1472. Inscripción previa: fausenuruguay@gmail.com

20 al 21 de octubre
Retiro para jóvenes (en edad y/o espíritu) “Etty Hillesum, una vida que interpela” Un itinerario de espiritualidad y compromiso para interpelar mi propia vida. Centro de Espiritualidad Las Esclavas. J. B. Lamas 2907. Plazas limitadas. Inscripción previa: fausenuruguay@gmail.com

Nem sacrifícios nem oblações: deste-me um corpo

Jueves, septiembre 20th, 2012
17/09/2012
Domtotal

(Foto: Reprodução)
Nas  sociedades ocidentais, pensa-se normalmente que o corpo humano é um objeto  relevante apenas para as áreas do saber da biologia ou da fisiologia, por  exemplo, e que sua realidade material deve ser pensada de maneira  independente das representações sociais ou da preocupação das ciências  humanas. Por causa da longa tradição filosófico-religiosa da separação da  alma e do corpo, este último afastou-se do campo do conhecimento objetivo,  enquanto a apreensão do psiquismo estaria submetida à flutuação das  representações. Ora, os trabalhos antropológicos, assim como os filosóficos  e teológicos, apresentam uma extrema variedade de concepções do corpo  segundo as diferentes sociedades, de seu tratamento social, sua relação com  o outro e com o mundo.

A teologia  encontrará na Bíblia as orientações que ensinarão como se deve entender o  corpo e regular a relação com ele. Os  livros do Primeiro  Testamento nos colocam diante da visão semita, que compreende o ser  humano como corpo animado pelo espírito de Deus, mas também percebe esta  corporeidade existencial conspurcada pelas muitas situações de conflito e  violência que perpassam a história da humanidade, que não é outra senão a  mesma história da salvação.

Assim, nestes textos, criação, bondade,  fecundidade, cuidado e bênção se misturam com atração pelo sexo oposto, que  é gozo e realização ao mesmo tempo que desvio, deturpação, excesso, ciúme,  maldição, traição etc., que resultam em violência, com assassinato, coerção,   segregação, mentira, desrespeito.

Ao olhar para o Novo  Testamento, percebemos que a experiência e a reflexão teológica no  cristianismo são experiência e reflexão teológica sobre um Deus encarnado.   Fora deste dado central e absolutamente necessário, não há  cristianismo.  Não havendo encarnação, não há a possibilidade de Deus  assumir todas as coisas por dentro e viver a história passo a passo, por  assim dizer “na contramão” de sua eternidade.  Não havendo encarnação,  não há cruz, não há redenção, não há salvação.  Não há, portanto,  aliança entre a carne e o Espírito.

Confessar com a boca e o coração  que o Verbo se fez carne e o Espírito foi derramado sobre toda carne implica  buscar a experiência e a união com o Deus que assim determina comunicar-se  com a humanidade através desta carne na qual é possível experimentá-Lo.  Desde aí somente é possível começar a reflexão sobre a corporeidade humana  sexuada e pensar igualmente sua conflitiva interlocução com a violência.

O  corpo humano está no centro da revelação cristã, no momento em que se trata  de algo que foi assumido pelo próprio Deus, na Encarnação de seu Filho Jesus  Cristo.  A Encarnação do Verbo, que toma corpo humano e habita entre  nós, embora carregue consigo uma forte dimensão kenótica e humilhante, de  acordo com as palavras do hino da Carta aos Filipenses, por outro lado eleva  e engrandece a corporeidade humana, resgatando-a de uma vez para sempre,  pois a divindade a abraça por  dentro.

Com  a vinda do Espírito Santo, a corporeidade humana redescobre novas dimensões  de si própria, que vêm completar a revelação que Jesus Cristo dela faz.   Percebendo-se semelhantes a Jesus de Nazaré encarnado, vivo e morto,  os discípulos da comunidade cristã primeva percebem-se igualmente destinados  a uma ressurreição semelhante à sua, onde o corpo humano, semeado  corruptível, ressuscitará  incorruptível.

O  Espírito na Bíblia, porém, está sempre estreitamente vinculado ao corpo.   Não se trata de uma força etérea que leve o ser humano a ultrapassar a  barreira do tempo, do espaço e, sobretudo, da corporeidade e da espessura do  real. O Espírito tende para o corpo: esta é a realidade revelada através dos  textos do Primeiro Testamento, quando o Espírito de Deus cria mundos a  partir do nada, transforma desertos em jardim, ossos secos em militante  exército e engravida ventres estéreis.

Nessa  vinda de Deus ao nosso encontro, o Espírito entra na violência do mundo, das  parcialidades, das relações conflitivas e entrecortadas, das intempéries,  das catástrofes, das carências de sentido.

Habitando na corporeidade  humana, o Espírito faz do ser humano seu templo, sua morada. O Cristianismo  traz, entre as grandes novidades que introduz na história da humanidade, o  fato de o eixo do Sagrado ser deslocado do Templo, lugar de culto e de  oração tradicional, para o ser humano, para a corporeidade humana, para a  carne.

Portanto,  não é necessário multiplicar ritos e sacrifícios para agradar ao Senhor.   Basta o nosso corpo, onde Ele habita, oferecido e disponível para o  projeto de Seu Reino.


Maria Clara Bingemer é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia.

Un asunto de peso Nathan Stone, S.J.

Martes, agosto 28th, 2012
Mirada Global

(El Señor) desplegó la fuerza de su brazo, dispersó a los soberbios de corazón. Derribó a los poderosos de su trono y elevó a los humildes. Colmó de bienes a los hambrientos y despidió a los ricos con las manos vacías(Cántico de María, Lucas 1:51-53).

El Consejo europeo para la investigación nuclear (CERN) recientemente emitió una declaración de prensa confirmando haber empíricamente observado el elusivo bosón de Higgs. Se trata de una partícula subatómica, la que explica porque las cosas tienen masa. Era teórica, hasta ahora. Las otras partículas, como quarks y electrones, son pura energía, la cual, según la física, no pesa nada. En el fondo, están diciendo que sin el bosón de Higgs, las cosas no serían cosas; y que así no podría haber universo.
Quizás, por eso, este distinguido personaje del elenco subatómico recibió el sobrenombre, la partícula de Dios. La imaginación popular se ilusiona con poder capturar la esencia divina y colocarla en un frasco. Los científicos afirman que se trata de una exageración. Los teólogos tranquilamente reconocen que el bosón de Higgs es otro ingenioso componente de una creación compleja e maravillosa. Los místicos continúan apasionadamente buscando la esencia divina en su oración, y no en los laboratorios del CERN.

Los poetas, a su vez, sienten la imaginación provocada por el misterioso descubrimiento. Sin la masa, la existencia misma no es más que una teoría. Sin la materia, el amor es sólo un concepto. Sin el peso de su humanidad, la compasión no tiene lugar donde acontecer. La palabra, en vez de hacerse carne y habitar entre nosotros, se vaporiza en el vacío sin tiempo ni espacio.

La materia misma es la madre en quién la palabra se hizo hombre. Si hubiera que darle un apodo trascendente al bosón de Higgs, yo lo llamaría la partícula Madre-de-Dios; en quien la humanidad es verdaderamente asumida por el Hijo. El peso del cristianismo se hace realidad cuando quede plasmada en el decadente elemento de la humanidad real. La resurrección sólo se entiende de cara a la entropía descendente de la porfiada materia, levantada por la infusión de energía santa, para sentarse a la diestra de Dios en su gloria.

El protestantismo de la Reforma pretendió purificar la fe del sucio peso de la materia, de la imagen, de la manifestación sensible y sacramental. Para lograr eso, tuvo que deshacerse de la devoción a la Santísima Virgen María. Al mismo tiempo, se deshizo de la Iglesia institucional.

Para Lutero, la Iglesia tenía que ser una entidad enteramente espiritual, una hermandad etérea de almas puras; sin estructuras, concreciones ni autoridades. Su Iglesia es de quarks y fotones, pero sin bosón de Higgs. Su asamblea santa es prácticamente imaginaria, pues, carece de consistencia real. El Espíritu necesita plasmarse en la materia, Dios necesita encarnarse en un cuerpo y Jesús necesita una Santa Madre que lo traiga al mundo.

Al celebrar a María, celebramos a la Madre Tierra y celebramos a la Iglesia. Es ella que entrega su Hijo al mundo. En ella, él se encarna; asumiendo sus partículas subatómicas. Así, toma cuerpo. En ella, la palabra se hace obra, y vive entre nosotros. Al ser ella corporalmente elevada a la gloria, el Creador asume la responsabilidad por la materia, la madre tierra, la entrópica masa cósmica. La compasión de Dios es transformada en solidaridad con el universo.

En una reciente visita a Belém do Pará, me llamó la atención la devoción mariana en la Capela de Lourdes. En el centro de una bulliciosa ciudad con millones de habitantes, existe un espacio concurrido de devoción pura y sincera. Fui a caminar temprano. Me llamó la atención, también, cuántas personas duermen en la calle en Belém; en los parques, en las bancas, debajo de las mesas; sin tener donde lavarse la cara ni tomarse un café. Sentí una desconexión.

No hay fe sin obras, quarks sin bosones, Santa Madre sin preocupación maternal. San Alberto Hurtado veía eso, y dedicó la vida, en cuanto pudo, a hacer realidad la conexión entre el cielo y la tierra, entre el espíritu y la materia, entre Dios y la humanidad. Hace falta un Hogar de Cristo en Belén. Antes del Concilio, antes de Medellín y Puebla, Alberto sabía cómo proceder, pues, seguía las indicaciones del evangelio. ¿Qué haría Cristo en mi lugar?

Quizás no todos puedan ser el Padre Hurtado. Tampoco nos da para ser como la Virgen María. El secreto es que el Señor lo hace posible. El Señor asume la flaqueza humana. Su gracia levanta a los humildes y dispersa a los soberbios, derriba a los poderosos y colma de bienes a los hambrientos. Tuvo compasión de la masa. Por su mano desplegada, los que vivimos en el sucio barro mundano somos levantados a un lugar bien cerca de Dios.

Nuevamente caminando, esta vez en Santarém, vi a una señora de edad, deambulando por la orilla del río, donde se juntan turistas y pasajeros en ruta por la vía fluvial. La señora tenía una bandeja de cartón con unos chocolates. Eran pocos, pero bien presentados, para vender. Así, junta unas monedas para darse vuelta, como dicen, para alcanzar el pan cotidiano.

Era su realidad, ella aceptaba y, aparentemente, estaba feliz. Pero me daba pena, al pensar que podría ser mi madre, o la madre de cualquiera, y que debe llegar a la casa al final de la jornada con los pies bien cansados. Los bosones de Higgs pesan más de noche. Pensé que, algún día, no le va a dar para salir a vender sus chocolates. Espero que sea asumida a la gloria, junta a la Madre Solidaria, ese día.

Nathan Stone, S.J.


El Corazón de Cristo José Luis Martín Descalzo

Viernes, junio 15th, 2012

“Ésta es la historia del corazón más grande que ha latido en la tierra, un corazón de carne como el nuestro, caliente, un corazón de hombre, diminuto y enorme, nacido de mujer de carne y sangre humana, allá en Belén latía tan pequeñito y tierno como un recién nacido pero algo ya tiraba de Él y le abría hacia todos los hombres, y fue desde aquel momento el más abierto corazón de este mundo, hecho para el amor, y el amor sin fronteras, pasó por los caminos gritando amor y fuego, acarició a los niños y se sintió a su lado feliz como uno de ellos, los niños le entendieron, corrían a su lado porque ellos son expertos en cuanto se refiere al corazón.



Vivió treinta y tres años abierto por las calles, llevó sobre sus hombros las ovejas perdidas como un especialista en el arte de amar y perdonar. Un día le llevaron ante el tribunal acusado de un horrible delito, haber amado desmesuradamente, aquello era excesivo, insoportable para quienes nacieron con el corazón muerto. Si un hombre puede amar de esa manera, ¿no quedaba en ridículo la gran tacañería del egoísmo humano? Aquello no podía tolerarse, era reo de amor, reo de haber nacido con demasiado corazón, y hubo que matarlo, no sea que fuera contagioso. Cuando subió a la cruz e inclinó la cabeza, aun no se quedaron satisfechos, hurgaron con la lanza, investigaron qué misterio había en aquel corazón desmesurado y aun les respondió con sangre y agua, con amor y esperanza. Le enterraron con miedo, sabían que aun después de muerto seguiría creciendo y creciendo repartiéndose a todos para ver si algún día había en el mundo corazón suficiente para todos.”



José Luis Martín Descalzo
, (Madridejos, provincia de Toledo, 27 de agosto de 1930- Madrid, 11 de junio de 1991). Sacerdote, periodista y escritor español.