![]() O dever de trabalhar é uma dádiva, pois constitui a condição humana (Foto: Divulgação) |
A Doutrina Social da Igreja Católica, considerando o mundo do trabalho, mostra Jesus Mestre ensinando seus discípulos a apreciarem o exercício de tarefas. Uma lição que permanece e tem força para modificar muitos cenários no quadro social, além de garantir a cada pessoa, nos diversos âmbitos e atividades, a luz da consciência sobre a importância de se exercer um ofício. Jesus, conforme testemunham os Evangelhos, passou a maior parte de sua vida terrena junto a um banco de carpinteiro, ao lado de seu pai José operário, dedicando-se ao trabalho manual. Essa verdade modula de modo diferente a cultura que não valoriza esse tipo de trabalho e o considera de segunda categoria em relação àqueles produzidos no mundo acadêmico ou nos escritórios. Evidentemente, um modo de ver marcado por preconceitos e discriminações.
O dever de trabalhar é uma dádiva, pois constitui a condição humana. Jesus condena o servo preguiçoso e indolente. Em contrapartida, elogia o servidor fiel que cumpre suas obrigações e tarefas. Ele mesmo descreve a sua missão como um ofício quando diz: “Meu Pai trabalha até agora e Eu também trabalho”. Essa consideração interiorizada, iluminando cada momento e produzindo reconhecimentos, pode fazer grande diferença na consciência social quanto ao direito e ao dever de trabalhar, com incidências muito importantes sobre as relações sociais e políticas no conjunto de uma sociedade que precisa ser mais justa e fraterna.
Jesus é exemplar porque, durante seu ministério terreno, trabalha incansavelmente para libertar a humanidade dos sofrimentos, das doenças e de todo tipo de escravidão. Neste sentido, o trabalho deve ser compreendido como caminho para liberdade. O dever de trabalhar torna-se essa via quando converge e impulsiona a busca do essencial que mantém a vida na sua inteireza e no seu sentido mais profundo, aquele que ultrapassa o simples ganhar, possuir e até mesmo desfrutar. Exercer um ofício, como sublinha a Doutrina Social da Igreja, refere-se à participação do homem na obra de Deus, não só da criação, mas também da redenção e resgate de toda a humanidade.
Assim concebido, o trabalho é expressão da plena humanidade de cada pessoa, na sua condição histórica e em vista do seu destino último. É, pois, indispensável a clarividente consciência que deve presidir a conduta cidadã de cada um: aquela de que pelo trabalho se gera solidariedade, possibilidade de partilhas e alegria de ajudar na construção de uma sociedade melhor. Na tradição da fé cristã, o trabalho é nossa participação no governo de Deus no mundo em que vivemos. É importante, então, trabalhar não só para conseguir o próprio sustento, mas também em vista do exercício da solidariedade com os mais pobres e pelo compromisso cidadão de ajudar na construção da história.
O trabalho carrega em si a imprescindível dimensão subjetiva, revelação de cada pessoa como ser dinâmico e capaz de transformar, artisticamente criar e exercer sua tarefa cidadã. Ao trabalhar a pessoa concretiza, de maneira admirável, nos diversos ofícios, o sentido mais alto de sua dignidade. É hora de uma compreensão ajustada sobre o trabalho para que se torne cada vez mais qualificada nossa presença na história da humanidade, na construção de um futuro que está sob a inteira responsabilidade de todos nós.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma (Itália). Membro da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé. Dom Walmor presidiu a Comissão para Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante os exercícios de 2003 a 2007 e de 2007 a 2011. Também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB – Minas Gerais e Espírito Santo. É o Ordinário para fiéis do Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de Ordinário do próprio rito. Autor de numerosos livros e artigos. Membro da Academia Mineira de Letras. Grão-chanceler da PUC-Minas.















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“Es bastante difícil encontrar un puesto en Pekín. Pero no me preocupo por el futuro, es sólo una cuestión de tiempo que consiga un buen trabajo.”



