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Papa: Igreja deve sair de si mesma em direção às ‘periferias existenciais’

Sábado, mayo 11th, 2013

1/05/2013  |  domtotal.com

O novo Papa, Francisco, ajudará a Igreja Católica a “sair de si em direção às periferias existenciais”, abandonando sua atual posição “autorreferencial”, segundo um documento escrito pelo pontífice antes de ser eleito, divulgado em Havana.

“Pensando no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da adoração de Jesus Cristo, ajude a Igreja a sair de si em direção às periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe que vive da ´doce e confortadora alegria de evangelizar´”, afirmou o então cardeal argentino Mario Bergoglio.

O documento, publicado no site da Conferência Episcopal cubana (iglesiacubana.org), foi o discurso de Bergoglio na Congregação Geral do Vaticano, realizado antes do conclave, e que o argentino entregou ao cardeal cubano, Jaime Ortega, com autorização para divulgá-lo.

“Evangelizar significa na Igreja a afirmação de sair de si mesma. A Igreja está convocada a sair de si mesma e a ir em direção às periferias, não apenas as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da prescindência religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria”, acrescenta.

O atual Papa sustenta que “quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece” e “tem a intenção de manter Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair”.

“A Igreja, quando é autorreferencial, sem perceber, acredita que tem luz própria; deixa de ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual (segundo De Lubac, o pior mal que pode acontecer com a Igreja). Este viver para dar glória a uns e outros”, acrescentou.

Simplificando, afirma Bergoglio, “há duas imagens da Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si; a Dei Verbum religiose audiens et fidenter proclamans, ou a Igreja mundana que vive em si, de si, para si. Isto deve lançar luz sobre as possíveis mudanças e reformas que precisam ser feitas para a salvação das almas”.

AFP

Hno. SIMÓN PERIC SEKUL, S.J. 20/07/1928 – 27/02/2013

Viernes, abril 26th, 2013

El Hno. Simón nació el 20 de julio de 1928 en Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina, en un ambiente familiar en el que varios de sus hermanos se plantearon y siguieron la vocación sacerdotal o religiosa. Sus padres eran emigrantes yugoeslavos y el Hno. Simón ocupaba el 6º lugar de los siete hijos que tuvieron. Antes de entrar en la Compañía estudió en la Escuela Apostólica hasta concluir el 2º año de bachillerato.

Ingresó en la Compañía el 11 de marzo de 1945 en el noviciado de Montevideo siendo Maestro de Novicios el P. Mariano Castellanos.

Después de hacer los primeros votos pasó a estudiar humanidades en el Juniorado de Córdoba. El año 1951 hizo un año de estudio de Ciencias en San Miguel, y luego cursó allí mismo la Filosofía desde 1952 a 1954.

En 1955 hizo un año de Magisterio en el Colegio del Salvador de Buenos Aires hizo en 1955, pasando después al Colegio Seminario de Montevideo hasta 1958.

En 1959 y 1960 hizo dos años de estudios de Teología, la que interrumpió en 1961 para volver a Magisterio, esta vez en el Colegio Inmaculada Concepción de Santa Fe.

Desde 1962  a 1968  volvió de nuevo como profesor al Colegio Seminario.

En 1968 fue profesor en el Colegio de Santa Fe. Pero al año siguiente, 1969 volvió al Colegio Seminario, donde permaneció desde entonces como Profesor de los cursos de 1º y 2º de liceo hasta el año 2004.

Como docente, cumplió su misión con dedicación y fue, a decir de todos, un muy buen docente. Siempre fue respetado y querido por los alumnos, y no sólo por sus cualidades de docente, sino también por su espíritu de justicia para con ellos.

Además, fue bien conocida su sensibilidad y su dedicación a los más pobres, que se concretó en sus campañas de recolección de ropa, visita a barrios carenciados y atención a algunas familias que lo venían a ver al Colegio.

El Hno. Simón fue exigente consigo mismo y de gran pobreza en lo personal. Fue un hombre austero, sencillo y obediente. A lo largo de los años de su vida religiosa nos ha dado un testimonio de amor a su vocación y a la Compañía.

Jesuitas Argentina

O fruto proibido Johan Konings

Miércoles, abril 24th, 2013
24/04/2013
Domtotal.com

O fruto proibido representa, simbolicamente, o interdito, o tabu, o limite imposto ao ser humano (Foto: Reprodução)
Algumas pessoas ficaram pensativas a respeito do fim de minha coluna anterior: “A historinha do pecado original quer dizer simplesmente que Deus, para o bem do ser humano, impõe limite a seu desejo insaciável”. Retomemos, pois, a história da maçã (Gênesis cap. 2-3)!

A Bíblia conta que Deus colocou “o ser humano” (o texto original lê “o Adão”, com artigo definido) no melhor mundo possível, como jardineiro do paraíso, e, para tirá-lo da solidão, providenciou-lhe uma “ajuda adequada”, a mulher. Deus explicou ao ser humano e à sua companheira que tinham à sua disposição as frutas de todas as árvores, inclusive da árvore da vida, menos o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas aí veio a serpente, animal rasteiro e astuto, e inspirou a Eva o desejo daquele único fruto; e ela comeu, e Adão também. Com as consequências que conhecemos.

Adão e Eva podem comer de todas as frutas do paraíso, menos uma, que eles têm de deixar intacta, para que não pensem ser iguais a Deus. É verdade que foram criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1,26-27), para representá-lo (‘imagem’, estátua) e para agir como ele (‘semelhança’: exercer domínio). Mas, ainda que ‘semelhantes’, eles não são iguais a Deus, não devem ocupar seu trono! Ora, exatamente porque lhes ensina o limite, a fruta daquela árvore lhes dá conhecimento do bem e do mal: ensina-os a distinguir o que é bom ou mau para eles. Infelizmente, eles vão querer exatamente esse único fruto…

O fruto proibido representa, simbolicamente, o interdito, o tabu, o limite imposto ao ser humano. Parece o contrário, mas é verdade: tendo um limite, o ser humano é livre, pois pode optar, escolher. Pode optar por respeitar o limite ou não. Livre arbítrio. E se optar por não respeitar o limite, vai conhecer as consequências.

Esse simbolismo nos ensina ainda outra coisa: se o ser humano romper sua lealdade a Deus e quiser tornar-se igual a ele – assim nos conta o narrador –, também a árvore da vida vai lhe ser interditada: ele vai conhecer a morte. A penalidade do interdito é a morte: a transgressão separa o ser humano daquilo que Deus lhe oferece, a vida.

Podemos também dizer: o fruto simboliza o critério do bem e do mal. Pois bem, esse critério está reservado a Deus. Querer comer desse fruto é querer ser igual a Deus. Quando o ser humano se apropria do critério do bem e do mal, ele se faz de deus; então, é melhor interdizer-lhe também a árvore da vida, pois o ser humano é criatura, não é feito para ser Deus.

À nossa interpretação opõe-se, antagonicamente, outra, bem ao gosto de certa modernidade que exalta a absoluta autonomia do ser humano. Segunda essa interpretação, Eva e Adão teriam feito um ato de heroísmo, um pouco como o herói grego Prometeu, que roubou o fogo dos deuses. Esta interpretação diz que o fruto deu a Eva e Adão o conhecimento do bem e do mal, o conhecimento radical. Só que, para isso, eles (e nós) pagaram o preço… Não acredito que esta seja a interpretação certa. É muito grega, pouco bíblica. No espírito da Bíblia, o que dá ao ser humano a sabedoria da vida é a opção de respeitar o conhecimento do bem e do mal, ou seja, de aceitar que ele não pode tudo.

Os antropólogos dizem, com razão, que o interdito é o início da civilização. A Bíblia chama isso de Torah, ‘Instrução’ (de modo infeliz traduzido por ‘Lei’). A instrução (a educação!) tira o ser humano de sua animalidade, assim como as regras da linguagem o fazem sair da comunicação meramente instintiva (e como há no mundo atual humanóides que só produzem grunhidos!). O animal segue seu instinto, o ser humano opta e decide.

O interdito é correlativo à liberdade. Liberdade não é fazer o que o instinto inspira, mas o que se quer na base de uma opção responsável. Na antiga Grécia, a liberdade era a característica do cidadão. Em Roma, os filhos de família eram chamados ‘liberi’, termo que significa também ‘livres’. Por isso, a criança ‘testa’ os pais, para ver onde vão pôr o limite que lhe vai permitir agir como os humanos. É até interessante ver como a criança se opõe instintivamente ao limite que inconscientemente ela deseja! E à medida que ela aceita o limite e “conhece o bem e o mal” – as alternativas de sua opção –, ela progride em humanidade.

Sem esse ‘mítico’ limite (que na realidade toma as formas mais diversas), seremos animais selvagens, e os capítulos seguintes da Bíblia (Gênesis 4 a 11) contam alguns exemplos disso. Sem o limite, teremos, como observou uma leitora de meu texto anterior, “terroristas, neonazistas, estupradores” etc. Os jornais estão cheios disso.

Portanto, não foi para chatear que Deus inventou o fruto proibido! Mas quando a nossa liberdade não vence nossa cobiça, que sempre quer exatamente aquilo que não é para nós (a goiaba no jardim do vizinho, ou na parte do jardim que Deus se reservou), então …


Johan Konings Johan Konings nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colegio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Foi professor de exegese bíblica na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (1972-82) e na do Rio de Janeiro (1984). Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, onde recebeu o título de Professor Emérito em 2011. Participou da fundação da Escola Superior Dom Helder Câmara

Um olhar jesuíta sobre o papa jesuíta

Miércoles, abril 24th, 2013
24/04/2013  |  domtotal.com
A reportagem é de Frédéric Mounier, publicada no jornal La Croix

O ser jesuíta é feito de “simplicidade na palavra, de ausência de pompa e de proximidade pessoal”.

“O Papa Francisco não pode ter perdido aquilo que o formou”. O padre Gianfranco Ghirlanda é jesuíta, especialista em direito canônico, consultor de oito dicastérios da Cúria Romana. Reitor, de 2004 a 2010, da prestigiada pontifícia universidade jesuíta, a Gregoriana, ele participou na sexta-feira de um encontro sobre o tema: “Papa Francisco, um mês depois”, em um auditório lotado da universidade.

Qual é o olhar dos jesuítas sobre esse papa jesuíta? Certamente, o pontífice quis que, no seu brasão, figurasse o monograma da Companhia: o sol com as três letras IHS (Iesus hominum Salvator: Jesus Salvador dos homens). Assim, a “assinatura” jesuíta aparece no centro do sinal pontifício.

Mas, concretamente, como o Papa Francisco coloca em prática o “programa” jesuíta que, segundo o padre Ghirlanda, não foi apagado com a sua eleição? “O que importa é o carisma próprio da Companhia, sua forma de pensar e de agir”, é a sua análise, embora salientando que nenhuma vez, há um mês, o papa citou Inácio de Loyola, nem os Exercícios Espirituais, matriz da formação jesuíta.

Porém, “quem não seguiu os Exercícios não pode compreender os jesuítas”, insistiu o padre Ghirlanda, recordando duas de suas características: a importância da Cruz, de fato muito presente nas intervenções públicas do Papa Francisco, diante do pecado, seja coletivo como pessoal; e a Ressurreição, considerada como “mais existencial do que intelectual”, sobre a qual o papa não deixou de insistir, para levar cada um a escolher o seu próprio caminho sob o olhar de Deus.

Fundamentado nessa base espiritual, o ser jesuíta, como disse ainda o padre Ghirlanda e como se pôde constatar nesse primeiro mês de pontificado, é feito de “simplicidade na palavra, de ausência de pompa e de proximidade pessoal”.

Essa proximidade foi enfatizada pelo padre Miguel Yanez, jesuíta argentino e especialista em teologia moral, formado nos anos 1970 na Argentina pelo padre Bergoglio, então jovem (33 anos) provincial dos jesuítas. “Acima de tudo, ele sabia o que fazia. A sua liderança era real, principalmente naqueles anos pós-conciliares bastante desconcertantes”, explica. “A nossa formação era concebida por ele o mais próxima possível da cultura das pessoas. Bergoglio queria que ela também fosse alimentada pela história e pela literatura”.

“Mesmo que a sua teologia não fosse uma ´Teologia da libertação´”, lembra o padre Yanez, “ela era, no entanto, uma ´teologia do povo´, que levava em conta todos os aspectos da religião popular e mariana”. Portanto, “era no contato permanente com as pessoas comuns” que Bergoglio “alimentava a formação que queria para nós”, contou o padre Yanez.

Mais prosaicamente, o jesuíta argentino lembra uma anedota. Embora fosse cardeal de Buenos Aires, Dom Bergoglio foi almoçar no seminário e foi convidado pelo reitor para tomar a palavra diante dos seminaristas, ao término da refeição. “Vão lavar os pratos!”, respondeu, dando ele mesmo o exemplo.

Mais seriamente, o padre Ghirlanda observou que “essa humildade não é sinônimo de fraqueza”: “O governo jesuíta é forte e decidido”. Vimos isso por ocasião da nomeação pelo papa, no dia 13 de abril, do grupo de oito cardeais encarregados de aconselhá-lo no governo da Igreja e na reforma da Cúria: um simples comunicado dessa decisão substituiu o habitual aparato jurídico, pesado e lento, típico da Cúria.

Na Casa Santa Marta, onde o Papa Francisco continua residindo, prosseguem as consultas informais, como prelúdio para um discernimento alimentando tanto de oração, quanto de vários contatos. As homilias cotidianas na capela de Santa Marta, diante de uma “verdadeira” assembleia, alimentam um “mini-Magistério” do novo “pároco do mundo”.

Os observadores também notaram que, desde a sua eleição, o Papa Francisco ainda não falou dos “temas sensíveis”, ou seja, aqueles da moral privada. Ele se comporta, desse modo, como um verdadeiro diretor espiritual, um carisma habitual para os jesuítas, mas desta vez em nível mundial. A sua pastoral, ousadamente fundada na mensagem do Evangelho, dá prioridade à misericórdia, à acolhida de todos, independentemente do peso dos seus pecados.

É exatamente isso que chamou a atenção de Emma Fattorini, senadora italiana (PD) e especialista em história da Igreja. Na sexta-feira, ela destacou, “no meio da falta completa dos nossos valores”, a “proximidade do testemunho do Papa Francisco”. Ele soube, a seu ver, “responder à acusação de fundo contra a Igreja, denunciando a incoerência entre o que é dito e o que é vivido, que tanto minou a credibilidade da Igreja”.

Jornal La Croix

Sergio Rubin – Francesca Ambrogetti El Jesuita, la historia de Francisco el Papa argentino

Martes, abril 2nd, 2013